quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Shangri-la

Aventuras são só aventuras.
Não fazem seu coração ter a profunda paz de estar exatamente onde queria estar.

domingo, 15 de novembro de 2009

20 Anos sendo puta!

“E ver que toda essa engrenagem, já sente a ferrugem lhe comer”

Peço perdão por derramar minha escrita de forma tão amarga, raivosa e inflamada. Não sei por onde começar e também não sei se é certo o que preciso escrever. Sei que vem da alma e é verdadeiro, espero eu que isso me absolva do crime.
Era uma vez, um cara que foi o cara mais honesto que já pisou nesse chão. Um cara que trabalhou mais de vinte anos no funcionalismo público e, por incrível que pareça, nunca roubou um centavo, não transferiu dinheiro do lugar correto e não se vendeu. É. Um certo Zé ninguém, que acreditou numa tal de política, que acreditou que todo ser humano tem direito a ter educação, comida, cultura e alegria. Não sei se foi a educação que recebeu ou se foi o seu espírito que já veio generoso demais. Problema do Zé, é que ele queria abraçar o mundo com as mãos, acreditando que tudo ainda tinha jeito. Problema do Zé, sempre foi um: esperança demais.
Não corrompeu, não vendeu a alma. Não se esqueceu dos valores. Não roubou. Não foi desonesto. Não deixou de ajudar cada ser humano que chegou em sua casa, de madrugada, de manhã, de tarde, ou em sonho. O Zé era foda! Um dia briguei com o Zé. Cheguei nele e perguntei se ele não tinha cansado de ser burro. Perguntei se ele não conseguia ser um pouco como todo mundo é. Ele nunca responde. Só me olha e eu consigo ler sua cabeça pensando: filha, um homem vale o que é. Sempre acabo com a boca amarga, me achando uma péssima pessoa por cobrar dele uma postura medíocre como a de todos os políticos que passaram por mim. É, o Zé nunca serviu pra política. Ele é honesto demais pra isso. E te digo outra coisa: cansei! Cansei de também acreditar, de ver um sistema corrupto e falho, de ver político aparecendo em casa um mês antes da eleição, prometendo não só o clichê de sempre, mas prometendo sonhos.
Cansei de ver o Zé carregando o mundo nas costas, sorrindo. Hoje pensei que ele é ainda mais anormal do que eu achava. Juro que se eu fosse o Zé, eu teria corrompido. Sem dúvida nenhuma teria. Roubaria. Esconderia. Omitiria. Me acharia certo, porque afinal, o mundo é dos espertos. Se eu fosse o Zé, jamais seria funcionário público. Sabe por quê? Porque a maioria dos políticos (não digo todos porque ainda acredito em alguns) trata o funcionário público como uma puta. Paga e se vê no direito de fazer de tudo. Humilhar. Usar. Abusar. Pisar. Roubam a dignidade e ainda querem comer o cu.
Funcionário publico é aquela puta velha, que todos os políticos da cidade já usaram. Aquela puta que cobra bem pouco e faz de tudo e mais um pouco. A diferença é que o funcionário público é uma puta ideológica. Só. Quero deixar claro que critico o sistema e a nossa falta de amor-próprio. Critico nosso comodismo e todos aqueles políticos que nunca conseguiram viver em outro lugar que não seja seu próprio umbigo. Critico os vinte anos que o Zé lutou e critico mais ainda a minha incapacidade de beijar sua testa e dizer olhando nos seus olhos: você é o Zé mais digno que existe nesse mundo.
Desejo reação pros que precisam reagir. Coragem pros que ainda acreditam e vergonha na cara pros meus queridos amigos hipócritas, demagogos, burros egoístas. Um abraço pra todo político ridículo. E pra aqueles honestos (que eu ainda acredito que existem), pra vocês eu desejo saúde, vida longa e fé.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Junto.

um passo. dois passos. um caminho. uma viagem. um tempo e uma mensagem.
duas. três. quatro. cinco. seis. sete. uma vontade. mil dias. outros mil medos e uma certeza. de novo. corredor. me olha? tempo. mais tempo. outros passos. maracujá.
escada. oi. risos. bocas. mais passos. chuva. talvez frio. talvez carinho. talvez olhar.
talvez vontade. talvez saliva. talvez mordida. tempo. chocolate. será? pescoço. olhar.
sua mão na minha mão e minha mão na sua mão. nossas. cheiro. gosto. mais passos.
agora que contei tudo só pra nós, resumo: "entreguei no olhar".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Questão de intensidade.

Fiquei (e ainda estou) pensando em alguém que possa vir rapidamente me pegar, exatamente. Alguém que chegue em quinze minutos e que me deixe profundamente satisfeita em relação ao ego. Que alimente meu ego ferido e que não me pergunte se escrevi alguma coisa. Sou isso então, uma peça que responde poeticamente a sentimentos. Entende? Pegue-me que eu escrevo. Poupe-me, por favor.
Qualquer pessoa que me deixa com aquele gosto de, "não é só você que me faz sentir". Isso meio que serve de escudo, me permite continuar enfrentando a burrice de estar "naquele jogo". Se estivesse há uns três metros de você eu te socaria com cada partícula do meu corpo e com toda certeza eu só pararia se o Michael Jackson desse aquele gritinho do meu lado.
Mentira, eu continuaria a descontar toda a minha raiva por não estar num espaço em que só nos coubesse um abraço. É tão difícil ver que minha reação de ouriço é natural quando se está com vontade de não estar longe, não estar brigando, não estar ainda gostando, não estar pensando nas mesmas lembranças já gastas, de tanto lembrar. Aprendi o gerúndio com você. Interessante?
Mas se é isso que interessa... "o que eu escrevi" está aqui. Pode se deitar e não se preocupe se eu dormir com raiva de novo. Não se importe se eu dormir com saudade também. Mesmo. Boa noite.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rusga.

Como minha boca. Engulo-me inteira.
Refaço-me pra me engolir de novo.
Sensivelmente mordida.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Encaixe.

A música é a cama onde a poesia se deita, ama, goza e sonha.

sábado, 24 de outubro de 2009

No dia em que cuspi ferros.

Como uma cavalaria de calos eu trotava num circulo cansativo, profundo e burro de um único momento. Um quarto.
Acordei e logo passei a mão direita na nuca e senti aquele caroço. Cavalgavam-me. Durante anos fui uma montaria cega de um senhor que até me trouxe coisas grandiosas, mas em troca meu holocausto era sangue. Vida e alma.
Ficamos embriagadas de sentimento. Eu e uma amiga. Entramos num ápice de plenitude e desvendamos mistérios de vidas inteiras. Senti a grama e a textura do último galho da última árvore. Vi a fumaça planar no ar e vi a noite como nunca antes tinha visto.
Senti cada partícula da minha pele e da pele vizinha eu toquei a carne. Fibra, pele e osso.
Entendi a poesia como um espírito de coragem. No abismo se joga, pouco se importa com a queda ou o estrago. Vale o vôo. O vento que cega a visão é o mesmo vento que acorda o espelho, que cura os olhos. Abre. Inunda. Adoça. Um aconchego sincero de bondade. Um tato macio por dentro dos olhos.
É poesia porque é plena, desnuda e valente. Joga-se de braços abertos e durante a queda pensa que toda queda também é vôo.
Sou eu, digo pra mim. E me respondo: Ainda estou aqui.
Ontem chutei a culpa. E só.
Quando se é inteiro basta o que se é, porque do mínimo de verdade brota no mínimo a cura, nasce no mínimo a verdade e cresce no mínimo um ser completo, inteiro. No mínimo de cada coisa se encontra a vida e hoje, depois do chute eu conto: Estou viva.

* com carinho, afetuosamente, pra salmória. *